Pular para o conteúdo
Geocota Topografia e Inspeção

Planimétrico ou planialtimétrico: qual levantamento a prefeitura pede

Por Leonardo Priess Perini, engenheiro civil ·

O arquiteto pediu “o levantamento do terreno” e o orçamento chegou com uma palavra comprida: planialtimétrico. Outro orçamento veio mais barato, com planimétrico. A diferença é uma só, e ela pesa na hora de o projeto passar pela análise da prefeitura.

A diferença em uma frase

O planimétrico mede o terreno visto de cima: limites, medidas, área, o que está construído. O planialtimétrico mede isso e também a altura de cada ponto: quanto o terreno sobe ou desce, onde está a rua, quanto o fundo fica abaixo da frente.

O que vem no planimétrico

  • limites do lote, com a medida de cada lado;
  • área e perímetro;
  • construções, muros, cercas, árvores, postes, meio-fio;
  • coordenadas dos vértices, quando o serviço pede (usucapião e retificação).

O que o planialtimétrico acrescenta

  • cotas de nível em pontos do terreno, da calçada e da rua;
  • curvas de nível, que desenham o relevo;
  • a referência de nível usada, para a obra repetir as mesmas alturas;
  • perfis do terreno, quando o projeto precisa de cortes.

O que entra no desenho (árvores, postes, meio-fio, redes) depende do que foi combinado: confirme o escopo no orçamento.

O que a prefeitura de Joinville pede no projeto

Desde 31 de julho de 2026, o padrão do Projeto Legal em Joinville é a Instrução Normativa SAMA 007/2026, e o processo corre todo pelo sistema Aprova Digital. A lista de documentos (art. 3º) não cita o levantamento topográfico como peça separada. Mas o projeto precisa desenhar coisas que normalmente saem de um levantamento:

  • as medidas de cada lado do lote, iguais às do documento de propriedade (art. 9º, I);
  • nos cortes, a linha do Perfil Natural do Terreno, em vermelho, e a Referência de Nível (RN), que é o ponto zero marcado nesse perfil para contar a altura do prédio (art. 10, II e IV);
  • a altura final de tudo o que fica junto às divisas (art. 10, VIII), e os cortes devem passar onde mostram melhor essa altura e os desníveis do terreno (art. 8º, § 6º);
  • no imóvel rural, a planta de localização com as coordenadas do perímetro em UTM, SIRGAS 2000 (art. 3º, VI, b).

A IN não diz “levantamento planialtimétrico”, mas pede o perfil do terreno, a RN e as alturas nas divisas, e isso só se desenha com altura medida no terreno. Por isso, para projeto de construção, o que o arquiteto costuma precisar é o planialtimétrico. E se a análise achar que falta informação, ela pode pedir outras peças (art. 11, § 4º); o processo tem até três reanálises antes de poder ser indeferido (art. 11, § 3º).

Quando o planimétrico basta

  • conferir a área e as medidas antes de comprar ou vender um lote;
  • planta e memorial para usucapião ou retificação de área, em que o que importa são os limites e as coordenadas (o cartório ou o juiz pode pedir mais; confirme antes);
  • locar muro ou cerca na divisa, quando o terreno é visivelmente plano e não há projeto a aprovar (na dúvida, peça o planialtimétrico).

Quando precisa do planialtimétrico

  • projeto de casa, prédio ou galpão para o alvará;
  • desmembramento de lote: em Joinville, a Certidão de Desmembramento pede levantamento planialtimétrico georreferenciado, em arquivo DWG;
  • terreno em aclive ou declive, ou abaixo do nível da rua;
  • muro de arrimo, garagem em subsolo, rampa;
  • escoamento da chuva e ligação do esgoto, que dependem da diferença de altura até a rua;
  • cálculo de corte e aterro antes da terraplenagem.

Se você ainda não sabe se vai construir, peça o planialtimétrico. Voltar ao terreno depois para medir só as alturas custa uma segunda visita, e o levantamento antigo pode já não bater com o que mudou no lote.

Quatro cuidados antes de contratar

  • Medida diferente da matrícula. A prefeitura quer as medidas do lote iguais às do documento de propriedade. Se o levantamento mostrar outra coisa, o caminho pode ser uma retificação de área antes do projeto. Melhor descobrir no começo.
  • Coordenadas oficiais. Peça o levantamento amarrado em coordenadas SIRGAS 2000. É o que a prefeitura pede em alguns serviços, como o desmembramento, e evita refazer depois.
  • Arquivo editável. Peça o desenho em DWG além do PDF. É nele que o arquiteto projeta, sem redesenhar o terreno.
  • Responsável técnico. O levantamento deve vir com o registro de responsabilidade técnica do profissional que o assina (ART, RRT ou TRT, conforme a habilitação dele) e seguir a ABNT NBR 13133:2021.

Fontes

As regras citadas são as de Joinville. Em outras cidades de SC a lista muda: confira com a prefeitura do seu município antes de contratar.

Levantamento planialtimétrico

Mande a localização do imóvel. A resposta vem por escrito, com preço, prazo e método.

Orçamento pelo WhatsApp
WhatsAppFormulário